Este livro do escritor moçambicano Mia Couto é um desafio à imaginação do leitor. São personagens e histórias que quase parecem irreais mas que poderiam muito bem acontecer numa realidade não muito distante daquela que conhecemos.domingo, 9 de novembro de 2008
"O outro pé da sereia", Mia Couto
Este livro do escritor moçambicano Mia Couto é um desafio à imaginação do leitor. São personagens e histórias que quase parecem irreais mas que poderiam muito bem acontecer numa realidade não muito distante daquela que conhecemos.domingo, 2 de novembro de 2008
"Quem ama não dorme", Robert Schneider.
Eis a história do músico Johannes Elias Alder que aos vinte e dois anos de idade pôs termo à vida após tomar a decisão de nunca mais dormir.
Este é o primeiro parágrafo deste livro que conta uma estranha forma de vida e de amar. É uma história de acreditar mas também de desistir. Ao longo deste livro seguimos os passos de Johanes Elias Alder que nasceu diferente, com uns olhos amarelos reluzentes que assustavam a população da aldeia que viam nele um qualquer personagem maléfico.
Mas a vida trouxe a Elias um talento escondido que se foi revelando nas entradas escondidas na Igreja da aldeia para conhecer órgão, para o sentir nas pontas dos seus dedos, para o tocar como ninguém.
A viagem para a cidade, as provas de música prestadas sob o olhar invejoso dos colegas, com a atenção desdenhosa dos professores. Quase como, por mais que fizesse, por mais que tentasse o seu destino fosse tão certo como o amor que sentia por Elsbeth. Quando tocava, era nela que
Ele olhou-a, os olhos escapando-se para os lábios secos e mais abaixo, o corpete atado em cruz sob o qual se desenhavam os pequenos seios.
E se Deus e os santos lhe dessem força para tal não a cobiçaria enquanto vivesse. Queria mostrar-lhe que o verdadeiro amor não busca a carne mas entrega-se totalmente ao espírito.
domingo, 26 de outubro de 2008
"Bonjour Tristesse", Françoise Sagan

segunda-feira, 20 de outubro de 2008
"Os Cadernos de Dom Rigoberto", Mario Vargas Llosa

domingo, 12 de outubro de 2008
"O imperador de Portugal", Selma Lagerlof

sábado, 4 de outubro de 2008
"Amores Feiticeiros", Tahar Ben Jelloun
Este é um livro de contos que retratam a vivência deste escritor marroquino radicado em França que venceu já o prestigiado prémio literário Gouncourt.Mesmo as personagens mais cépticas quanto ao poder das feitiçarias, mezinhas e poções, acabam por se tornar mais crentes face às vicissitudes da vida, que não conseguem ultrapassar com um pensamento ou acções racionais próprio das sociedades modernas.
Recordo-me de Fattouma, uma mulher de Tafilelet de pele quase preta. Ela chorava porque, no intuito de impedir que o seu marido se encontrasse com outras mulheres, tinha-se enganado na poção e tornou-o impotente. Uma outra mulher, enlouqueceu o marido e não conseguia encontrar o charlatão que lhe tinha dado as ervas para o marido tomar. Concluí que aquelas que não dizem nada, são aquelas que enganam os maridos e multiplicam os amantes. Aquelas que não ousam pisar o risco da traição choram, queixam-se e tornam-se patéticas.
Numa edição da Cavalo de Ferro estes contos lêem-se de um só fôlego, enquanto devoramos a essência dos personagens aqui recriados com a mestria de Tahar Ben Jelloun.
sábado, 27 de setembro de 2008
Já não se escrevem cartas de amor, Mário Zambujal

Vivia-se então uma época de apetites e excessos. De paixões e desventuras. Era um tempo em que havia tempo. Até se escreviam cartas de amor.
sábado, 20 de setembro de 2008
"Império à Deriva", Patrick Wilken
Apesar de não ser um romance este livro de Patrick Wilcken consegue seduzir o leitor, prendendo-o até ao fim, altura do desfecho da estória e da História.Abarcando o período conturbado entre 1808 e 1821, altura da ida da corte portuguesa para o Brasil o autor faz um apanhado dos principais acontecimentos dando a conhecer alguns pormenores que foram ficando esquecidos e que nunca chegaram a constar dos manuais de História. Alguns episódios são são verdadeiramente caricatos apesar de reais.
O personagem central não poderia deixar de ser o rei D. João VI descrito como uma personagem mais ou menos medíocre que não estava preparado para ascender ao trono e que em circunstâncias normais não o teria feito mas além do irmão mais velho ter morrido inesperadamente, a sua mãe, a rainha Maria I, perdeu o juízo (ao que parece sofria de pânicos religiosos e pensava que alem de estar condenada ao inferno o diabo a espiava diariamente...) e ele acabou por ter que assumir a regência por muitos e longos anos. Toda a história assenta na relutância da corte portuguesa em fechar os seus portos ao comercio inglês respeitando assim o decreto de Berlim de 1806 que forçava a quebra de todos os contactos com a Grã-Bretanha e as suas colónias. Os poucos portos neutros na Europa estavam presos entre a Royal Navy e os exércitos de Napoleão e com o exemplo do bombardeamento do porto de Copenhaga pelos navios Ingleses ficou claro que era necessário escolher um lado para evitar o colapso do Império marítimo português. Pressionado por Strangford o emissário inglês, acabaram por embarcar cobardemente para o Rio de Janeiro deixando o pais prestes a cair nas garras de Junot que havia atravessado a fronteira há poucos dias.
Toda a travessia é descrita com pormenor por este escritor neozelandês mas a "melhor parte" é sem dúvida a chegada ao Brasil onde os súbditos, que aguardavam figuras imponentes, vêm chegar uma comitiva surreal.
sábado, 13 de setembro de 2008
"O mistério da cripta assombrada", Eduardo Mendoza

Eu sou louco. Ou, pelo menos, decretaram-me louco e estou internado num manicómio. Hoje recebi a visita de um velho conhecido, o comissário Flores em pessoa. Precisa de mim para um assunto delicado. Necessita de recorrer a um pobre diabo, sem qualquer importância, que possa ser eliminado sem prejudicar a sociedade, ou seja, eu. E, se eu resolver brilhantemente este enigma, serei um homem livre.
É a um manicómio, controlado pelo Dr. Sugrañes, que o Comissário Flores vai buscar um psicopata reabilitado (aparentemente, pelo menos) para desvendar um caso de uma jovem de 14 anos desaparece misteriosamente sem deixar rasto. Reaparece, 2 dias depois, sem conseguir recordar nada do que entretanto aconteceu. 6 anos depois desaparece outra rapariga, exactamente nas mesmas circunstâncias. E é assim que surge o nosso protagonista, um doente mental, internado num manicómio que é forçado pelo comissário Flores e pela Madre Superiora do colégio a investigar o caso.
Com uma escrita corrida capaz de levar o leitor a uma gargalhada este livro, à semelhança de um outro de Eduardo Mendoza A Aventura do Cabeleireiro de Senhoras utiliza o humor e a caricatura para ironizar com aspectos do quotidiano social com o qual nos deparamos diariamente.
Este é muitas vezes referido pelo autor como o livro que mais gostou de escrever. Foi o seu segundo livro e foi escrito, sem rascunho, sem investigação, numa semana de retiro no seu apartamento em NY.
Desengane-se quem acha que este género é incompatível com um grande escritor, pois Mendoza é considerado uma das vozes mais relevantes na literatura contemporânea em Espanha e marcou posição com outros títulos como A cidade dos prodígios ou Uma comédia ligeira.
sábado, 6 de setembro de 2008
"A mulher de Job", Andrée Chedid

É uma história de provação e de crença mas também uma história de amor, de acreditar. Se na bíblia a mulher de Job tem um papel quase invisível do qual se retira apenas a parte negativa pois afinal foi ela quem disse "amaldiçoa Deus e morre", neste pequeno livro temos um outro lado da história e todo um enquadramento para esta afirmação desesperada.
A mulher olha para o seu homem envelhecido. Nunca se cansa de olhar para ele, de medir aquele amor amor tenaz, aquele amor indestrutível. A mulher contempla Job tão intensamente que acaba por se reflectir nele. Não como uma réplica mas como uma imagem invertida, marcada pelos mesmos anos, desgastada pelo mesmo passar do tempo, atingida pelas mesmas desgraças...
Depois de uma vida cheia, preenchida com a crença em Deus, Job vê a sua força ser posta à prova com a provação da doença. O sofrimento porém nunca o leva a duvidar desse seu Deus.
Uma tarde, julgando-se sozinho, Job cedeu às lamentações. Um queixume sombrio, acompanhado de estertores e monossílabos elevou-se no quarto. Por detrás dele, vigilante, comovida com o choro, revoltada com esse Deus impiedoso que Job aceita, a mulher gritou com voz estridente: O quê, teimas nessa adoração, nessa integridade? Amaldiçoa Deus e morre.
Este pequeno livro tem uma escrita fácil e uma narrativa que prende o leitor da primeira à última página. Uma história de amor tão irresistível como um exército em marcha que é o que Job, numa declaração de amor, diz à sua mulher.