Esta é uma história de amizade, de amor e de esperança. De não desistir perante as muitas, tantas por vezes, adversidades da vida.domingo, 29 de março de 2009
A Vida Secreta das Abelhas, Sue Monk Kidd
Esta é uma história de amizade, de amor e de esperança. De não desistir perante as muitas, tantas por vezes, adversidades da vida.Vamos acompanhar Lily Owens, que cresceu na convicção de que, acidentalmente, matou a mão quando tinha apenas quatro anos. Do que aconteceu ela não tem recordações, apenas o relato do pai do qual não se lembra de receber qualquer carinho.
A minha primeira e única recordação da minha mãe datava do dia da sua morte. Durante muito tempo tentei desenterrar uma imagem anterior, nem que fosse uma impressão fugidia a aconhegar-me a roupa, a ler-me as aventuras do Tio Wiggly, ou a pendurar a minha roupa interior perto do radiador nas manhãs geladas.
Mas as memórias, tal como o carinho do pai insistem em não aparecer e o único colo amigo é o da criada Rosaleen, uma negra obstinada em conseguir o seu direito ao voto, facto determinante no curso da história.
Será por causa desse ponto de partida que Lily e Rosaleen se irão por em fuga e encontrar a casa cor de rosa onde vivem as irmãs August, June e May...
domingo, 22 de março de 2009
O Homem Sentimental, Javier Marías
Esta é uma história de amor, na qual o amor não se vê nem se vive que que se anuncia e se recorda. Estas são as palavras do próprio escritor espanhol que, com este livro venceu o Prémio Nelly Sachs.Neste livro vamos seguir os passos de um famoso cantor de ópera conhecinho como o Leão de Nápoles que será o narrador desta história de amor vivida em Madrid por altura de uma paragem para uma ópera.: Natália a misteriosa e melancólica mulher de Manur, um imponente e apaixonado banqueiro.
Não se se vos conte os meus sonhos. São sonhos velhos, fora de moda, mais próprios de um adolescente que de um cidadão. São simultaneamente prenhes de episódios e precisos, um pouco vagarosos ainda que de grande colorido, como os que poderia ter uma alma fantasiosa mas no fundo simples, uma alma muito organizada. Sã sonhos que acabam por cansar um pouco, porque quem os tem acorda sempre antes do seu desenlace, como se o impulso onírico se esgotasse na representação dos pormenores e se desinteressasse do resultado, como se a actividade de sonhar fosse a única ainda ideal e sem objectivo.
Com este livro vamos, enquanto leitores, conhecer não apenas a vida e a história de amor vivida pelo Tenor Leão de Nápoles, mas também alguns dos meandros do mundo da ópera.
domingo, 15 de março de 2009
"O Verão Selvagem dos Teus Olhos", Ana Teresa Pereira
Esta semana falamos de um livro de uma escritora madeirense, Ana Teresa Pereira. São muitos os motivos que nos levam a escolher um livro em detrimento do outro: a disposição no momento da escolha, a capa do livro, a sugestão de alguém, a sinopse apelativa ou o título, entre tantos outros motivos possíveis. Neste caso a minha escolha foi para o título que depois vim a saber, é um verso de W.B. Yeats. Já tinha na minha estante um outro livro desta escritora mas quando vi este na livraria não resisti.Este é um romance com uma tónica de policial. Como se desde o início, desde o momento em que somos apresentados à personagem central, apesar de lermos passagens românticas, descrições de encontros e perfeição aparente, houvesse algo que não nos deixasse acreditar.
Às vezes acho que me limitei a reproduzir, numa escala maior, o que me encantava na casa onde nasci. Havia um jardim de rosas quase esquecido, os arcos tinham falhas e as flores dos canteiros mal sobreviviam entre as ervas. Mas as rosas trepadeiras invadiam tudo, com flores e espinhos, e eu gostava de sentar-me lá, nas tardes de Verão, a folhear os meus livros de botânica. Uma espécie de jardim de conto de fadas, abandonado ao sol à chuva...
Com uma escrita fluída e cativante, Ana Teresa Pereira cativa o leitor tornando-o solidário com a angústia da personagem central.
E pergunto a mim mesma se a eternidade será isto, recordar uma e outra vez, um vestido, um beijo, um dia de Outono, a primeira neve, os meus cães. As coisas essenciais. O nome das rosas e as frases dos livros, o tempo em que alguém nos amou, o jardim que fizemos com as nossas mãos. Estão a preparar o baile. Já passou um ano e estão a preparar o baile de máscaras, como se nada tivesse acontecido. Como se a dona da casa não tivesse morrido.É Danny que organiza tudo, e parece fazê-lo com uma alegria quase selvagem. A princípio achei estranho, porque ela sente a minha falta mais do que ninguém. Eu estava na galeria quando ela levou a rapariga a ver o retrato de Caroline. E então percebi que tinha um plano.
domingo, 8 de março de 2009
"Desisto", Philippe Claudel
Este é um pequeno livro que se devora de uma só vez. Uma história dura, quase cruel mas que deixa uma mensagem de força e de esperança. Ao longo deste livro vamos seguindo os passos do protagonista, um psicólogo que trabalha num hospital onde tem a missão de dar aos familiares das vítimas a mais dura notícia: a das suas mortes. E como se isso não fosse suficiente, cabe-lhes também - ao narrador e ao seu colega - a função de convencer os familiares dos falecidos a doarem os seus órgãos para que outras pessoas possam viver. Assim atribuem a eles mesmos o cognome de hienas que observam as suas presas e escolhem o melhor momento para atacar.O facto de ter ficado recentemente viúvo e a existência de uma filha com apenas vinte e um meses produzirão neste homem uma transformação no seu modo de olhar a realidade, impedindo-o de continuar a ver a banalidade da morte e alargando o seu desespero pessoal ao descalabro do mundo.
É no fundo a história de um homem que procura algo de bom a que se agarrar mas que à volta apenas encontra guerras, mortas e um mundo frio e cinzento.
Será que a mão pequena da sua filha terá força suficiente para o agarrar à vida?...domingo, 1 de março de 2009
"Esta História", Alessandro Baricco
Este livro é o mais recente livro do escritor italiano Alessandro Baricco que marcou os leitores portugueses com livros como Seda ou Oceano Mare.Neste livro fazemos uma viagem no tempo até ao início do Séc.XX e ao aparecimento do primeiro automóvel. O autor dá-nos a conhecer a procura do sonho por Libero Parri um agricultor que decide vender as suas terras e animais para montar a primeira oficinal automóvel isto mesmo antes de ter visto qualquer exemplar. Este sonho incute no seu filho Ultimo o rumo do seu destino. Sob a influência da paixão do pai por automóveis, Ultimo tem um sonho que é claro desde o início: construir um circuito, um espaço que na altura não tinha ainda existência real.
Tudo faz mais sentido quando um novo personagem se cruza com Esta História: o conde. Um homem rico rendido aos prazeres automobilísticos que contrata Libero não só como mecânico mas também como co-piloto. Mas a chegada do conde não trará apenas benefícios e acaba mesmo por alterar a harmonia familiar.
Com este livro acompanhamos não apenas a história de Ultimo mas também os pontos marcantes da História do Séc. XX.
Tudo faz mais sentido quando um novo personagem se cruza com Esta História: o conde. Um homem rico rendido aos prazeres automobilísticos que contrata Libero não só como mecânico mas também como co-piloto. Mas a chegada do conde não trará apenas benefícios e acaba mesmo por alterar a harmonia familiar.
Com este livro acompanhamos não apenas a história de Ultimo mas também os pontos marcantes da História do Séc. XX.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
"O Solista", Steve Lopez
Este livro é o resultado de uma reportagem que acabou por ser muito mais que isso. Steve Lopes um cronista do Los Angeles Times ao ver o sem-abrigo Nathaniel Ayers a tocar de forma tão sentida o seu violino de duas cordas no Skid Row de Los Angeles, fica estupefacto. De imediato pensa em fazer sobre ele uma das suas crónicas mas o que vai descobrindo ao longo da sua investigação deixa-o fascinado. O percurso daquele homem não caberia em uma nem em várias crónicas.Trinta anos antes, Ayers tinha sido um promissor aluno de contrabaixo na conceituada escola de música Juilliard. Um aluno ambicioso, encantador e um dos poucos afro-americanos a marcar presença naquela escola. Mas, gradualmente, foi vencido por um esgotamento mental. Quando Lopez o encontra, Ayers está sozinho, profundamente perturbado e desconfia de toda a gente, mas o jornalista ainda vê nele resquícios daquele brilho do jovem e promissor músico.
Lopez começas por escrever uma crónica no LA Times sobre Nathaniel e o resultado é estrondoso: centenas de pessoas enviam cartas para a redacção e muitas oferecem instrumentos para que o músico possa voltar a tocar.
Os dois homens aprendem a comunicar através da música. Lopez imagina-se capaz de convencer Ayers a abandonar as ruas de Los Angeles e a voltar a tocar. Mas aos momentos de triunfo segue-se sempre uma desilusão, mas nenhum dos dois desiste. E embora a intenção inicial de Lopez seja salvar Ayers, acaba por constatar que a sua própria vida mudou profundamente.
Este livro deu origem a um filme, que estreará em Portugal em Fevereiro de 2009, tendo como actores principais Robert Downey Jr. E Jamie Foxx.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
"Instruções para Salvar o Mundo", Rosa Montero
Este é o mais recente livro da escritora espanhola que já havia conquistado o público leitor português com livros como A Louca da Casa, a Filha do Canibal ou o Coração de Tártaro.Neste livro cruzam-se personagens que muito peculiares cujas histórias acabam, inevitavelmente por cruzar-se: um médico acomodado e insatisfeito com o rumo da sua vida, um taxista viúvo que não consegue ultrapassar a morte da mulher, uma antiga professora universitária que caiu em desgraça e uma belíssima prostituta africana.
Numa recente entrevista a autora disse que a literatura ajuda a salvar o mundo, porque os romances são os sonhos da Humanidade e se não houvesse romances, a Humanidade seria muito mais louca do que já é. Além disso - defendeu - os romances permitem-nos uma relação com o inconsciente, que se aflore os fantasmas do inconsciente colectivo que fazem com que nos reconheçamos, sejamos muito mais sábios, saibamos mais sobre nós mesmos e sejamos mais sãos, também.
Num cenário de subúrbio este livro percorre estas histórias que poderiam perfeitamente acontecer perto de nós, conduzindo o leitor por uma narrativa fluída que torna difícil uma pausa na leitura.
Temas como a toxicodependência, a prostituição, o amor e a amizade são aqui abordados com mestria por Rosa Montero.Numa recente entrevista a autora disse que a literatura ajuda a salvar o mundo, porque os romances são os sonhos da Humanidade e se não houvesse romances, a Humanidade seria muito mais louca do que já é. Além disso - defendeu - os romances permitem-nos uma relação com o inconsciente, que se aflore os fantasmas do inconsciente colectivo que fazem com que nos reconheçamos, sejamos muito mais sábios, saibamos mais sobre nós mesmos e sejamos mais sãos, também.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
"Ele foi Mattia Pascal", Luigi Pirandello
Luigi Pirandello, nobel da literatura, ganha agora um novo fôlego na divulgação em Portugal com a editora Cavalo de Ferro.
Este é um livro que para além de ter uma tónica de sátira social tem também um pouco de suspense e até, porque não, de romance. O protagonista, Mattia Pascal, sente-se preso numa vida monótona, cansado de um casamento que não funciona, persiguido por uma sogra metediça, atormentado por credores. É assim que depois de muitas reviravoltas ao ver um jornal publicar uma notícia da sua própria morte, não hesita, e parte em busca de uma outra vida.
Reli com semblante feroz e de coração em sobressalto não sei quantas vezes aquelas poucas linhas. Num primeiro momento, todas as minhas energias vitais se reuniram violentamente para protestar: era como se aquela notícia tão irritante no seu impassível laconismo, fosse verdadeira também para mim.
E é assim que ao ler a notícia e aproveitando um prémio que tinha ganho ao jogo Mattia Pascal decide morrer. Parte para uma nova vida mas a verdade é que depois, tudo aquilo que lhe causava revolta contribui para o seu regresso. Mas será que a vida ainda é o que era?...
domingo, 1 de fevereiro de 2009
"Travessuras da Menina Má", Mario Vargas Llosa
Neste livro vamos seguir os passos de Ricardo que vê cumprido o sonho que desde a infância acalentava: viver em Paris. Mas este sonho cruza-se com o sonho de viver o grande amor da sua vida: Lily, a chilenita. Ainda no Perú em plena adolescência, conhece a pequena chilenita que vai despois reencontrar ao longo da vida nas mais diversas ocasiões e com ela assumindo as mais diversas identidades.
Desque que tinha o uso da razão que sonhava viver em Paris. Provavelmente foi culpa do meu pai, daqueles livros de Paul Féval, Júlio Verbem Alexandre Dumas e tantos outros que me obrigou a ler antes de morrer no acidente que me deixou órfão.
Mas esta é também uma história que vai dar a conhecer ao leitor a Europa das décadas de 60, 70 e 80. A vida dos emigrantes em Paris, as dificuldades e as comunidades que se criavam.
E é em Paris que Ricardo reencontra a chilenita como Camarada Arlete. Depois em Londre voltará a encontrá-la já com outro nome e depois em Tóquio a viver quase como uma gueixa. Através desta história de amor quase dolorosa vamos, enquanto leitor, perdendo e ganhando a fé no amor.
- Fico contente por vires. Embora não nos vejamos muito estou sempre a lembrar-me de ti. Queres que te diga porquê? Porque és o único amigo que me resta.
-Eu não sou nem nunca serei teu amigo. Ainda não reparas-te nisso? Sou teu amante, teu apaixonado, o fulano que desde pequenino está doido pela chileninha, a guerrilheira, a mulher do funcionário, a do criador de cavalos, a amante do gangster.
O borra-botas que só vive para te desejar e pensar em ti.
Esta histório é sobretudo uma história de amor e um desafio à capacidade do leitor de acreditar neste rosto do amor.
domingo, 25 de janeiro de 2009
"Gente de Dublin", James Joyce
Este pequeno livro de contos de um dos mais conceituados escritores da literatura internacional é incrivelmente fácil de ler. Acho que muitas vezes deixamos de lado os clássicos e os escritores de renome por acharmos que serão demasiado densos, difíceis mesmo de ler. É um preconceito que temos que ultrapassar. Este é um bom livro para dar esse primeiro passo.Nestes contos Joyce fala da sua cidade natal, Dublin, reflectindo o apego à terra que tanto sentiu. Apresar de ter saído de Dublin rumo a Paris e de ter vivido muitos anos fora da Irlanda, a verdade é que a sua escrita reflectia a saudade da terra.
Nos vários contos os personagens lidam, de uma forma ou de outra, com esse apego à cidade, como logo no primeiro: Eveline.
Encontrava-se em pé no meio duma grande balbúrdia, na Estação de North Wall. Frank acenou-lhe com a mão e Eveline percebeu que falava com ela acerca da passagem. A estação regurgitava de soldados, com malas castanhas. Pelas largas portas da plataforma entrevia-se o barco, uma vasta massa escura com as vigias iluminadas. Eveline nada respondeu. Sentia-se fria, pálida e aflita, e só pedia a Deus que a dirigisse, que lhe mostrasse qual o caminho a seguir, qual o seu dever. O barco lançou um longo e estridente apito no nevoeiro.
James Joyce escreve a cidade tal como a via. E se por um lado há um apego, por outro existe uma rejeição relativamente aos valores. O próprio disse que: A minha intenção era escrever um capítulo da história moral do meu país e escolhi Dublin como cenário porque a cidade se me afigura como o centro da paralisia. Tentei apresentá-la ao público indiferente sob quatro dos seus aspectos: a infância, a adolescência, a maturidade e a vida pública.Cheguei à conclusão de que não consigo escrever sem ofender as pessoas.
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