domingo, 22 de fevereiro de 2009

"O Solista", Steve Lopez

Este livro é o resultado de uma reportagem que acabou por ser muito mais que isso. Steve Lopes um cronista do Los Angeles Times ao ver o sem-abrigo Nathaniel Ayers a tocar de forma tão sentida o seu violino de duas cordas no Skid Row de Los Angeles, fica estupefacto. De imediato pensa em fazer sobre ele uma das suas crónicas mas o que vai descobrindo ao longo da sua investigação deixa-o fascinado. O percurso daquele homem não caberia em uma nem em várias crónicas.
Trinta anos antes, Ayers tinha sido um promissor aluno de contrabaixo na conceituada escola de música Juilliard. Um aluno ambicioso, encantador e um dos poucos afro-americanos a marcar presença naquela escola. Mas, gradualmente, foi vencido por um esgotamento mental. Quando Lopez o encontra, Ayers está sozinho, profundamente perturbado e desconfia de toda a gente, mas o jornalista ainda vê nele resquícios daquele brilho do jovem e promissor músico.
Lopez começas por escrever uma crónica no LA Times sobre Nathaniel e o resultado é estrondoso: centenas de pessoas enviam cartas para a redacção e muitas oferecem instrumentos para que o músico possa voltar a tocar.
Os dois homens aprendem a comunicar através da música. Lopez imagina-se capaz de convencer Ayers a abandonar as ruas de Los Angeles e a voltar a tocar. Mas aos momentos de triunfo segue-se sempre uma desilusão, mas nenhum dos dois desiste. E embora a intenção inicial de Lopez seja salvar Ayers, acaba por constatar que a sua própria vida mudou profundamente.
Este livro deu origem a um filme, que estreará em Portugal em Fevereiro de 2009, tendo como actores principais Robert Downey Jr. E Jamie Foxx.

1 comentário:

DEDÉ disse...

Acabei de ver o filme.É simplesmente fabuloso. Na verdade um dos melhores que assisti nos últimos 10 anos. A escolha de Robert Downey Jr foi perfeita. Robert sempre me passou a imagem de uma pessoa extremamente sensível à dor do mundo que acaba se transformando em sua própria dor. No papel de Steve Lopes ele deixa esse sentimento transbordar.Seus olhos falam, sua necessidade de ajudar é palpável, sua percepção de um mundo extremamente injusto e sem sentido é mostrado e denunciado numa camera inteligente que dirige nosso olhar para a realidade, rasgando fantasias, utopias e crenças. Mas essa dor, que é também um amor imenso, se não é capaz de vencer os políticos demagogos e as utopias religiosas, se não é capaz de mudar uma realidade cruel, ela por si só já é poesia e beleza.Parabéns a Steve Lopes, ao maravilhoso solista, aos atores e direção do filme pelo magnífico trabalho. Robert Downey Jr merecia um Oscar pela interpretação, mas , como o solista, ele é um renegado nesse universo de felizes e medíocres normopatas.
Jandira Praia

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